
Na tarde desta terça-feira (20), em caráter extraordinário, a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de São João Del-Rei realizou uma reunião para apurar as denúncias feitas por profissionais de saúde e servidores da Unidade de Pronto Atendimento de São João Del-Rei (UPA).
Na reunião, a presidenta da Comissão de Saúde, Sinara Campos (PV), pontuou que teve acesso a uma denúncia protocolada por ex-servidores da prefeitura, alegando que o executivo municipal já sabia o que estava ocorrendo na UPA. Por isso, seria necessário a instauração de uma CPI para averiguar todos os pontos do caso “temos que auditar a UPA, não dá para deixar somente o executivo fiscalizar” finalizou, Sinara Campos.
Ainda de acordo com Sinara Campos (PV), a reunião na Câmara dos Vereadores foi convocada pela Comissão de Saúde para repassar o caso aos demais vereadores e coletar assinaturas para a abertura de uma CPI. “É a forma que os vereadores têm para poder investigar no Legislativo. Eu convidei todos os vereadores a participarem”. Mesmo com a extensão do convite para todos os vereadores da casa legislativa, a reunião contou com a baixa adesão dos parlamentares. Somente os vereadores Sinara Campos (PV), Cassi Pinheiro (PT) e Gustavo Acácio (Podemos) estiveram presentes. Atualmente, somente três assinaturas foram registradas para a implementação da CPI.
O vereador, Gustavo Acácio (Podemos) ainda disse que o prefeito, Aurélio Suenes, foi convidado para participar de uma reunião com os médicos que assinaram o ofício denunciando o ex-diretor para falar sobre o caso, mas não teria comparecido. Gustavo também reforçou o esforço do diretor afastado da UPA de maquiar os dados de internações “eu queria que o Alan (diretor afastado da UPA) escrevesse um livro porque a UPA de São João del-Rei é a única vazia do Brasil”, pontuou o vereador.
Atualmente a Câmara ainda está em recesso e deve voltar oficialmente em fevereiro.
“É um assunto que precisa ser tratado com seriedade, pois ele envolve possíveis negligências de pessoas que procuraram atendimentos médicos e esses atendimentos não foram autorizados para que a UPA pudesse manter seus números. Como por exemplo, um paciente que foi até a UPA com suspeita de AVC ou infarto e lá foi proibido dos médicos pedirem exames ou outros procedimentos, mandando o paciente de volta para a casa sem o atendimento adequado. Então a situação é muito séria e precisa ser tratada com transparência, enquanto vereadora a nossa obrigação é fiscalizar. E nesse momento o instrumento que a gente tem para fiscalizar é através de uma CPI que precisa ser tratada independente de lados partidários, é uma resposta à população de tudo que está acontecendo”, afirma Sinara Campos.
Entenda o caso
Na última sexta-feira (16) vídeos e publicações de redes sociais trouxeram à tona denúncias graves feitas contra o diretor da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Segundo relatos que circulam nas redes e noticiados por diversos veículos de imprensa, uma servidora da própria unidade registrou boletim de ocorrência relatando que teria sido alvo de assédio sexual e moral por parte do diretor. As acusações incluem comentários inapropriados e sugestões de que a funcionária trabalhasse com roupa íntima ou biquíni. Questionado sobre os relatos mencionados na carta acerca dos prontuários dos pacientes, Gustavo informou que diversas denúncias são relatadas nas redes sociais de familiares e pacientes que não conseguem atendimentos na UPA. “Então isso acaba indo ao encontro no relato da carta dos médicos onde consta de que eles eram impedidos de trabalhar”. Sobre a carta enviada pelo corpo clínico da UPA, a vereadora Sinara Campos ainda informou à equipe de jornalismo da Rádio São João que ela mesma protocolou as denúncias no Ministério Público para que elas possam ser investigadas.
Diante da repercussão do caso, o vereador Gustavo protocolou uma denúncia junto a Prefeitura de São João del-Rei, a qual afastou no sábado dia 17 o diretor de suas funções em caráter administrativo-preventivo e instaurou sindicância para apurar os fatos, conforme decreto número 22.342 o qual aponta o afastamento inicial do diretor de 60 dias podendo ser prorrogado até o fim das investigações. Paralelamente, a Polícia Civil de Minas Gerais investiga o caso em segredo de justiça.
Procurado pela equipe de jornalismo da Rádio São João del-Rei, o diretor da UPA alvo das denúncias disse que não iria se pronunciar até a conclusão do inquérito.

